terça-feira, 17 de julho de 2007

Para Desanuviar - Caril de Frango

Sei que já partilhei este pensamento (ou pelo menos parte dele) com alguns, mas para os que ainda não ouviram aqui vai. Os outros, "ouvem" outra vez! Estou-me a cagar!

Casa-de-banho, wc, lavabos, quarto de banho, toilette, escritório. A nomenclatura é variada e certamente cada um terá a sua preferida. No entanto, qualquer que seja o nome que lhe dermos, a principal razão pela qual recorremos a este estabelecimento é a mesma: Aliviármo-nos. Alívios vários. Desde os clássicos gastrointestinais e mictórios, passando pelas regurgitações, até aos alívios de stress. Acredito que o modo como nos comportamos numa casa-de-banho diz muito da nossa personalidade.

Vejamos:

Primeiro, o modo como abordamos uma sanita pública, ou até mesmo a de casa de um amigo, é bastante revelador. Os mais despreocupados, ou menos higiénicos, sentam-se "à lá gardere" e nem fecham a porta, enquanto que uma pessoa razoável ainda pondera se se senta ou se será melhor fazer a cadeirinha...Tomada a decisão, uns fazem a dita cadeirinha e sentam-se, os outros rapidamente se cansam da posição "estou a fingir que estou sentado, mas não estou" e acabam por se sentar, conformados..."também não há de ser por aí"...

Quanto ao hipocondríacos, esses, levam um banquinho, sobem para cima do mesmo e "lá aí vai carga!"(isto tudo enquanto sustêm a respiração). Esquecem-se é da 3ª Lei de Newton:
"Para cada ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade." Resultado: Salpico! (famosa expressão, oriunda do norte de Portugal que designa a técnica que permite a lavagem automática e simultânea do chassis).

Quando, finalmente, estamos no sossego do trono, esperando que a tão desejada "encomenda" seja entregue com sucesso, fazendo força (não só a inevitável força abdominal mas também força mental), torcendo para que ao som característico da "entrega de encomenda" - PLOF - não venha também acoplado, tal e qual brinde inútil de supermercado, o tal salpico, mesmo em cheio onde nós não queríamos...

Mas onde é que eu ia mesmo?! Ah!, exacto! A ideia é que quando lá estamos sentados, os pensamentos que nos ocorrem são, de um modo geral, inúteis, vá! Salvo, honrosas excepções...Obrigado às pessoas que estiveram à frente, ou atrás (como preferirem), dos cartazes dos candidatos à Camâra Municipal de Lisboa por terem ideias tão úteis...

Continuando a conversa de merda...
Alguns destes pensamentos são tão construtivos como: "olha! bem... como é que estes boxers estão tão castanhos..." ou "este papel deve ser mesmo áspero...".
Isto tudo enquanto seguramos pacientemente o queixo como uma mão, apoiando os cotovelos nos joelhos.

Terminado o serviço, saímos desta posição meditativa, diria mesmo, deste estado de transe, olhando com admiração para os dois pequenos círculos vermelhos que se formaram imediatamente acima dos joelhos devido à pressão dos nossos cotovelos. Claro que reparamos imediatamente que um dos circulos é nitidamente mais intenso do que o outro. Isto porque, a pressão exercida por um dos cotovelos foi claramente inferior derivado do facto de uma das nossas mãos (mais precisamente um dos dedos, provavelmente o indicador) ter estado ocupada em assegurar que a nossa prezada cabecinha não apanhasse um resfriado por entrar em contacto com uma superfície tão frescota como a da louça sanitária.

Chegada então o momento das higienes, também aqui há várias correntes sanitárias. Alguns, mais optimistas, organizados, metódicos, e porcos, acham que é suficiente absorver um pouquito da sujidade, recorrendo a um quadradito de papel com que pressionam suavemente de esperando que como por osmose, toda a merda seja transposta para o pequeno quadradito de papel super-absorvente!É a chamada técnica do Selo, ou do Mata-Borrão!

Outros preferem uma técnica ensinada pelos antigos, que consiste em envolver a manápula com a maior quantidade possível de papel higiénico e proceder às higienes utilizando este artefacto, já muitas vezes encontrado em túmulos egípcios, o qual permite a determinação bastante rigorosa (com uma margem de erro bastante aceitável - 2 ou 3 ervilhas) da alimentação daquela época. É a chamada técnica do Algodão Doce.

Existe ainda uma outra técnica que reúne bastantes adeptos, a qual consiste na utilização de uma porção mais ou menos assim [ ] de papel higiénico, o qual vai sendo sucessivamente dobrado em dois no intervalo de cada passagem. É a chamada técnica do Origami.
O resultado final, tem um efeito deveras espectacular. No final de dobragens sucessivas de um rectangulo de papel em metades, obtemos um incrível obecto piramidal como o qual se dá a estocada final. Existem rumores de que este passo é o que faz com que alguns homens demorem tanto tempo na casa de banho... Confontados com este facto eles dizem que são ferfeccionistas...OKAY?!

E é a quem recorre mais a esta última técnica - do origami - que acontece algo de extremamente interessante. Algo que diz muito, não só da natureza humana, mas também da nossa estupidez natural e humana, relembrando-nos que, afinal, pertencemos todos à mesma Humanidade, naturalmente...

O que sucede é que, por vezes, quando estamos nos momentos finais da nossa higiene e já efectuámos todas as dobragens de origami possíveis e imaginárias, ao fazermos uma última passagem sentimos que a pele da nossa mão acabou de ter um encontro imediato com as nossas mucosas mais privadas e chegamos à conclusão:

"Já houve merda!". No entanto, e apenas a título de confirmação, levamos a mão à narina e num misto de confirmação e de alguma admiração pensamos: "Olha, cheira mesmo a merda"! Será que estávamos à espera de algo completamentediferente. Do género: "Olha, que giro, cheira a caril de frango!".

F.

1 comentário:

Unknown disse...

Não podia estar mais de acordo! Eu sou adepto de duas técnicas complementares, chamem-me paranóico da limpeza mas eu acho que a técnica Origami não me chega e por isso pós acto, faço uso dessa loiça sanitária que intriga muitos homens, o bidé! Ah pois é...

Tanta conversa sobre WCs fez-me lembrar um WC que partilhei contigo fersd em Atenas, recordas-te? Aí não ficavas com marcas nas pernas dos cotovelos porque para apoiar os braços tinha de ser no lavatório que se sobrepunha parcialmente à sanita.