Sei que já partilhei este pensamento (ou pelo menos parte dele) com alguns, mas para os que ainda não ouviram aqui vai. Os outros, "ouvem" outra vez! Estou-me a cagar!
Casa-de-banho, wc, lavabos, quarto de banho, toilette, escritório. A nomenclatura é variada e certamente cada um terá a sua preferida. No entanto, qualquer que seja o nome que lhe dermos, a principal razão pela qual recorremos a este estabelecimento é a mesma: Aliviármo-nos. Alívios vários. Desde os clássicos gastrointestinais e mictórios, passando pelas regurgitações, até aos alívios de stress. Acredito que o modo como nos comportamos numa casa-de-banho diz muito da nossa personalidade.
Vejamos:
Primeiro, o modo como abordamos uma sanita pública, ou até mesmo a de casa de um amigo, é bastante revelador. Os mais despreocupados, ou menos higiénicos, sentam-se "à lá gardere" e nem fecham a porta, enquanto que uma pessoa razoável ainda pondera se se senta ou se será melhor fazer a cadeirinha...Tomada a decisão, uns fazem a dita cadeirinha e sentam-se, os outros rapidamente se cansam da posição "estou a fingir que estou sentado, mas não estou" e acabam por se sentar, conformados..."também não há de ser por aí"...
Quanto ao hipocondríacos, esses, levam um banquinho, sobem para cima do mesmo e "lá aí vai carga!"(isto tudo enquanto sustêm a respiração). Esquecem-se é da 3ª Lei de Newton:
"Para cada ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade." Resultado: Salpico! (famosa expressão, oriunda do norte de Portugal que designa a técnica que permite a lavagem automática e simultânea do chassis).
Quando, finalmente, estamos no sossego do trono, esperando que a tão desejada "encomenda" seja entregue com sucesso, fazendo força (não só a inevitável força abdominal mas também força mental), torcendo para que ao som característico da "entrega de encomenda" - PLOF - não venha também acoplado, tal e qual brinde inútil de supermercado, o tal salpico, mesmo em cheio onde nós não queríamos...
Mas onde é que eu ia mesmo?! Ah!, exacto! A ideia é que quando lá estamos sentados, os pensamentos que nos ocorrem são, de um modo geral, inúteis, vá! Salvo, honrosas excepções...Obrigado às pessoas que estiveram à frente, ou atrás (como preferirem), dos cartazes dos candidatos à Camâra Municipal de Lisboa por terem ideias tão úteis...
Continuando a conversa de merda...
Alguns destes pensamentos são tão construtivos como: "olha! bem... como é que estes boxers estão tão castanhos..." ou "este papel deve ser mesmo áspero...".
Isto tudo enquanto seguramos pacientemente o queixo como uma mão, apoiando os cotovelos nos joelhos.
Terminado o serviço, saímos desta posição meditativa, diria mesmo, deste estado de transe, olhando com admiração para os dois pequenos círculos vermelhos que se formaram imediatamente acima dos joelhos devido à pressão dos nossos cotovelos. Claro que reparamos imediatamente que um dos circulos é nitidamente mais intenso do que o outro. Isto porque, a pressão exercida por um dos cotovelos foi claramente inferior derivado do facto de uma das nossas mãos (mais precisamente um dos dedos, provavelmente o indicador) ter estado ocupada em assegurar que a nossa prezada cabecinha não apanhasse um resfriado por entrar em contacto com uma superfície tão frescota como a da louça sanitária.
Chegada então o momento das higienes, também aqui há várias correntes sanitárias. Alguns, mais optimistas, organizados, metódicos, e porcos, acham que é suficiente absorver um pouquito da sujidade, recorrendo a um quadradito de papel com que pressionam suavemente de esperando que como por osmose, toda a merda seja transposta para o pequeno quadradito de papel super-absorvente!É a chamada técnica do Selo, ou do Mata-Borrão!
Outros preferem uma técnica ensinada pelos antigos, que consiste em envolver a manápula com a maior quantidade possível de papel higiénico e proceder às higienes utilizando este artefacto, já muitas vezes encontrado em túmulos egípcios, o qual permite a determinação bastante rigorosa (com uma margem de erro bastante aceitável - 2 ou 3 ervilhas) da alimentação daquela época. É a chamada técnica do Algodão Doce.
Existe ainda uma outra técnica que reúne bastantes adeptos, a qual consiste na utilização de uma porção mais ou menos assim [ ] de papel higiénico, o qual vai sendo sucessivamente dobrado em dois no intervalo de cada passagem. É a chamada técnica do Origami.
O resultado final, tem um efeito deveras espectacular. No final de dobragens sucessivas de um rectangulo de papel em metades, obtemos um incrível obecto piramidal como o qual se dá a estocada final. Existem rumores de que este passo é o que faz com que alguns homens demorem tanto tempo na casa de banho... Confontados com este facto eles dizem que são ferfeccionistas...OKAY?!
E é a quem recorre mais a esta última técnica - do origami - que acontece algo de extremamente interessante. Algo que diz muito, não só da natureza humana, mas também da nossa estupidez natural e humana, relembrando-nos que, afinal, pertencemos todos à mesma Humanidade, naturalmente...
O que sucede é que, por vezes, quando estamos nos momentos finais da nossa higiene e já efectuámos todas as dobragens de origami possíveis e imaginárias, ao fazermos uma última passagem sentimos que a pele da nossa mão acabou de ter um encontro imediato com as nossas mucosas mais privadas e chegamos à conclusão:
"Já houve merda!". No entanto, e apenas a título de confirmação, levamos a mão à narina e num misto de confirmação e de alguma admiração pensamos: "Olha, cheira mesmo a merda"! Será que estávamos à espera de algo completamentediferente. Do género: "Olha, que giro, cheira a caril de frango!".
F.
terça-feira, 17 de julho de 2007
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1 comentário:
Não podia estar mais de acordo! Eu sou adepto de duas técnicas complementares, chamem-me paranóico da limpeza mas eu acho que a técnica Origami não me chega e por isso pós acto, faço uso dessa loiça sanitária que intriga muitos homens, o bidé! Ah pois é...
Tanta conversa sobre WCs fez-me lembrar um WC que partilhei contigo fersd em Atenas, recordas-te? Aí não ficavas com marcas nas pernas dos cotovelos porque para apoiar os braços tinha de ser no lavatório que se sobrepunha parcialmente à sanita.
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